15 julho, 2016

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Estou cheia de ausências
de saliva
de abraços de papel.

Dou por mim a querer coisas como
o rasto breve de uma estrela cadente
segurar  o brilho das águas do rio que amas
sem  molhar  a ponta dos dedos.
O que hoje sei é das coisas mais estúpidas.


Nenhuma metáfora te aclarará a noite
nem te  calará o grito.
Nada que conheço me fará beijar-te os medos.
Não há manhã que nos espere
para nos guardar a ternura.

Na verdade – e é a verdade o que mais assusta-
nunca serei mais que a tua  aprendiz de poeta.
Escrevo água e nascente
enquanto a boca bebe da fonte mais seca
e por ti  vai morrendo  de sede.


Sónia M 

Ilustração, Sean Yoro



4 comentários:

  1. Da nascente até à foz há um rio por cumprir.
    Bj.

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  2. ...que a vida é um imenso deserto.

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  3. Pagas um alto preço por seres,
    ao mesmo tempo, diva e "poeta".
    Tal como Florbela, estremeces a cada verso,
    ao ritmo do teu coração.
    E não te admires por eu, na minha dor,
    continuar a banhar-me no meu rio
    - aquele espelho de água e luz,
    que enfeitiça o olhar –
    à espera do teu pássaro azul,
    embora eu saiba que o tempo
    mata o sonho e mata a vida,
    mas ainda não pode matar o amor.

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