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26 novembro, 2015
...
Hoje sempre que fechava os olhos, via o teu retrato.
Porque hoje era dia de abraços e eu só tinha uma imagem...
Pendurado ao pescoço, um coração. Assim vais passando pela vida,
com ele por fora, disposto a sangrar pelas dores dos outros.
Consigo ver-nos a todos, quando te olho, mesmo os que já cá não estão...
E somos tantos! Não sabia que alguém conseguia guardar tanta gente,
nos olhos e nas mãos. E no aconchego das mãos das mães, não há ferida
que não sare, nem cicatriz que não se torne bela.
Quando as coisas não correm bem e eu não consigo ser o que querias,
ainda assim dizes, " coragem! podia ser pior!".
Pois podia! Podia não te ter e não há mais ninguém como tu.
Uma espécie de anjo que nos guia e nos ergue.
É tão simples e tão profunda a tua passagem pela vida, que vou continuar
a ouvir-te a minha vida toda. Jamais me perderei do teu rosto.
Agora eu já sei, que à mãe e ao pai, se deve falar de amor e de gratidão,
sempre que se possa. Gratidão, por o amor que nos têm, não caber na palavra.
Há coisas que só se sabem depois de se ter um filho. E eu já sei, mãe,
o que é ter um coração, sempre pronto a sangrar pelo outro...
Mãe, perdoa-me. Perdoa-me ontem. Perdoa-me hoje ...e amanhã.
Perdoa-me por te escrever tanto. Perdoa-me as cartas que já te escrevi,
as que escrevi e não te enviei e até as que te irei ainda escrever.
Perdoa-me, por ser o único que te posso dar agora.
Palavras - o que quase nunca foi preciso.
Esta noite, antes de adormecer, vou olhar para o nosso retrato.
Talvez assim, quando feche os olhos, despida de palavras,
te possa abraçar mil vezes, no meio do sonho...
Sónia M
(Parabéns, mãe!)
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