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05 setembro, 2015
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A novidade causava delírio na praça
Alguém lembrava um profeta.
Dizia que até as pedras
endoideceriam de espanto
quando um homem
encontrasse outro homem
que o fosse
sem querer parecê-lo...
Sónia M
Escultura de Pablo Gargallo - De Profeet, 1933
Middelheimmuseum Park - Antwerpen, Bélgica
30 dezembro, 2014
A Viagem
A estação era fria. As pessoas caminhavam lentamente, arrastando pesadas malas. Num repente, comecei a ouvir alaridos de espanto. Uma velha vestida de branco, havia subido à torre do relógio e sem que ninguém soubesse como, sentou-se no ponteiro das horas. Os viajantes, aos poucos, foram abandonando a bagagem, concentrando-se por baixo da torre. Tentavam convencê-la a que descesse e ela recusava, dizendo não ser ainda a hora. Alguém chamara a policia, que tardava. Todos os olhos estavam agora postos no ponteiro das horas, até os meus, e naquela mulher misteriosa. Envergava uma camisa de dormir branca de bordado inglês, que subira até às coxas. Uns longos cabelos, completamente brancos, tocavam-lhe nos joelhos. Com as duas mãos, segurava um saco de ráfia, que parecia cheio e ela olhava para cima, com um olhar doce, como se visse estrelas e não a estrutura metálica da estação.
Não sei quanto tempo passou. O relógio da estação deixou de marcar o tempo e o meu relógio de pulso também. Desconfio que nenhum relógio funcionava. Mais que uma vez, vi entre os que ali estavam, de olhares desorientados, perguntar a uns e outros as horas, sem que ninguém soubesse responder. Incrédula, deduzi que o tempo, obedecia aquela mulher que todos tomavam por suicida. Fiquei curiosa. O que haveria dentro daquele saco de ráfia? Como se se apercebesse da minha curiosidade, a mulher olhou-me. Apontou-me o dedo e pediu-me que chegasse mais perto. Obedeci. Abriu o saco e retirou lá de dentro uma mão cheia de ponteiros, dizendo que era chegada a hora. Com uma agilidade inesperada colocou-se de pé em cima do ponteiro, ficando assim, de costas viradas para o corpo do tempo, pisando o braço das horas. Ao mesmo tempo que uma nuvem de pombas brancas, invadia a estação, esvoaçando por cima da torre do relógio e da velha, que já nem me parecia tão velha. Voltou a olhar-me, esticando a mão cheia de ponteiros e disse-me
- Isto foi teu. Perdeste tantos, como o tanto que pesa a tua mala. Vê!
Lançou-os, como se atirasse comida às pombas, que os recolheram ainda no ar, e, desapareceram com eles no bico.
Voltou a enfiar a mão dentro do saco, retirando mais um punhado de ponteiros. Desta vez olhou para a mulher ao meu lado e repetiu a operação. Repetiu-a com todos os viajantes que a olhavam em silêncio, como se esperassem a sua vez. A cada vez que o fazia parecia perder idade. Quando o saco ficou vazio, não era mais que uma criança, de uns 7 ou 8 anos. Abriu os braços e saltou. Naquele momento, um anjo caía da torre do relógio. Antes que atingisse o chão, 7 pombas agarraram-na, elevaram-na e desapareceram com ela. Consternados, os viajantes olhavam-se entre si, tentando perceber, se o que haviam presenciado fora real, ou apenas uma alucinação partilhada, que ninguém quis explicar à policia, quando finalmente chegou. O único crime que encontrou, foi tempo perdido.
Ouviu-se a última chamada para o último comboio da noite. O relógio da torre marcava agora 5 minutos para a meia noite. Após 1 ou 2 minutos de despedidas, a estação ficou vazia e o comboio cheio. A vida prosseguiu como se nada. Quando peguei na minha mala, pela primeira vez percebi-lhe o peso. Hesitei, mas acabei por a deixar ali mesmo e entrei no comboio. Afinal, a ternura é leve e não precisa de bagagem. Nenhum tempo se perde ou envelhece com ela.Talvez seja isso, o único que me faz falta, nesta viagem.
Sónia M
A todos os amigos deste blogue, desejo que a vossa viagem seja leve.
Feliz Ano Novo.
Um forte abraço.
26 março, 2014
Será que as paredes também choram?
Eram quase oito da noite e as temperaturas ainda rondavam os 40°C.
O céu tinha o azul da manhã e o sol queimava na pele como se fosse meio dia. Mas o Alentejo é assim no verão, talvez seja isso que faz a vida ali parecer mais lenta. Cerca de um quilómetro antes de entrar nas muralhas da cidade, decidimos à ultima da hora visitar um local, que apesar daquela ser a "nossa" cidade, jamais havíamos pisado. Subimos por uma estrada estreita, ao chegar ao fim da estrada a vista que tínhamos era fantástica. Dava a sensação que dali se podia ver o mundo inteiro. Não trazíamos connosco nenhuma máquina fotográfica, mas a necessidade de gravar o que víamos em mais algum lugar, que não fosse apenas a memória, fez-nos usar os telemóveis. Apesar da qualidade das imagens não ser a melhor, hoje quero partilhá-las convosco.
Podíamos ver nitidamente alguns bairros periféricos à cidade, o castelo, e, no centro desta primeira foto, aquele que é considerado o maior aqueduto da península Ibérica, o Aqueduto da Amoreira. Tem 8,5 quilómetros de extensão, 843 arcos com mais de 5 arcadas e torres que se elevam a 31 metros de altura. Foi construído com o intuito de trazer a água desde os arrabaldes, no local da Amoreira, até ao centro da cidade. Uma vez que o poço que abastecia a cidade, desde a época da ocupação árabe, se tornou insuficiente, devido ao aumento da população. Foi em 1537 que João III de Portugal, designou o arquitecto Francisco de Arruda para executar o projecto, mas só em 1620, correram pelo aqueduto, as primeiras águas dentro dos muros da cidade. O Aqueduto da Amoreira, está classificado como Monumento Nacional desde 1910. E integra o sítio denominado Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações, classificado pela UNESCO como Património Mundial desde 2012.


Como se pode ver, as portas estão abertas. E qualquer um se pode passear, por este local carregado de História. Foi daqui que o exército espanhol atacou severamente a cidade durante o cerco de Elvas (1658-1659), na Guerra da Restauração, quando na altura o único que aqui havia era uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Graça. Situação que se repete em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, quando Elvas foi novamente sitiada. É então que D. José I, determina que seja aqui construída uma fortaleza que permita completar o circuito defensivo da cidade, encarregando o Marechal Wilhelm von Schaumburg-Lippe (nome pelo qual ficou durante muito tempo conhecido - Forte de Lippe) do seu planeamento e da defesa do reino. Terão trabalhado na construção deste forte, entre 1763 e 1792 (ano em que ficou concluído), 3 a 4 mil homens. O forte resistiu ao ataque das tropas espanholas durante a Guerra das Laranjas (1801) e ao bombardeamento infligido pelas tropas francesas do general Soult, Guerra Peninsular (1811). No passado foi usado pelo exército português como prisão militar. Recentemente conheci um senhor, aqui nas ruas de Antuérpia, que nele cumpriu a sua pena, partilhando comigo algumas memórias mais caricatas que tem do local. O mundo é pequeno...
O Forte de Nossa Senhora da Graça integra o sítio denominado Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações, classificado pela UNESCO como Património Mundial desde 2012.
O Forte de Nossa Senhora da Graça integra o sítio denominado Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e as suas Fortificações, classificado pela UNESCO como Património Mundial desde 2012.



O interior é um labirinto, uma verdadeira obra prima da arquitectura militar europeia do século XVIII, infelizmente as imagens mostram bem as condições em que se encontra, muito próximo da ruína...
E eu, que já sei do abandono às pessoas e lhe conheço as lágrimas, no fim da visita não deixava de me perguntar - Será que as paredes também choram?











"Não há conquistas ou ambições a satisfazer, mas há o grande dever de conservar o que nos resta da herança do mar."




"A Pátria é uma herança sagrada que devemos transmitir intacta aos nossos descendentes."







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À data desta publicação, consegui apurar junto a um funcionário da Câmara Municipal de Elvas, que a Câmara adquiriu os prédios militares da cidade e que neste momento, se encontra a decorrer um concurso, para adjudicação da empreitada para a obra de recuperação.
Mas a vida no Alentejo, tal como acima mencionei, corre, corre e corre, a passo de tartaruga...
Sónia M
12 fevereiro, 2014
A cidade
Hoje trago-vos algumas imagens de um lugar que tivemos o prazer (eu e a família) de visitar há dias.
Trata-se de uma casa projetada pelo pintor Peter Paul Rubens, hoje o Museu Rubenshuis. Uma villa de influência italiana no centro de Antuérpia que acomodava também o seu estúdio, onde ele e os seus aprendizes fizeram a maior parte de suas obras, muito populares entre a nobreza e os colecionadores por toda a Europa, além de sua coleção de arte pessoal e uma biblioteca, ambas entre as maiores de Antuérpia.Rubens foi um pintor flamengo, inserido no contexto do Barroco. Foi humanista, um colecionador e diplomata, chegando a ser elevado ao título de cavaleiro por duas vezes, a primeira por Filipe IV (1624) e a segunda por Carlos I (1630). Neste período a sua carreira diplomática esteve particularmente ativa, movimentava-se frequentemente entre as cortes da Espanha e da Inglaterra tentando promover a paz entre os Países Baixos Espanhóis e as Províncias Unidas. Estudou latim, literatura clássica, grego clássico e a arte romana. Foi um artista muito prolífico. As suas obras por encomenda foram na sua maioria sobre assuntos religiosos, pinturas "históricas", que incluem assuntos mitológicos e cenas de caçada. Pintou muitos retratos, especialmente de amigos e autorretratos, e, no final da sua vida, pintou também diversas paisagens.
Peter Paul Rubens nasce em 1577 e morre de gota aos 62 anos, em 1640. Deixou 8 filhos, 3 com Isabella Brant, a sua primeira esposa, e 5 de Hélène Fourment, uma donzela de 16 anos com quem casou aos 53 anos, após a morte de Isabella. Uma pequena curiosidade - o seu último filho, nasce 8 meses após a sua morte. O Museu Rubenshuis, é sem dúvida, um lugar de visita quase obrigatória. Fascinante! Tal como a vida de Rubens.
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