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05 abril, 2020



Podia agora perder-me neste sorriso. 
Não fosse o nosso destino
uma dor de lonjuras. 
E as mãos 
este lugar frio com ruas vazias. 
Não fosse adiada a Primavera, 
com que sempre me recebes ,
nesses teus olhos lavados de ternura 
à espera de um novo abraço. 



"Era Abril...mas podia ser Agosto." 
Notas do meu diário 

Sónia Micaelo 
05/04/2020 

 Imagem, eu e o meu pai.

21 abril, 2017

Foto do dia.

A raiz é livre como um pássaro!
O sonho mostra o caminho.
Chega Abril. A liberdade é já ali.

Até amanhã ❤

17 abril, 2017





Foto do dia.

Paciente, uma ave nocturna
pousa no vestido da tarde...
Esperará  que o dia se dispa
aos seus olhos arregalados de lua?


Sónia M

01 janeiro, 2016

Recomeça...



Hoje bastava um pouco mais de céu.
Um pouco mais do sonho, que se lê no papel envelhecido.
Um pouco mais de Amor e sararia as feridas dos pássaros brancos, 
que de vermelho vão tingindo a terra.
Um pouco mais, do que o tilintar dos copos.
Ou do que o riso demorado, que o caçador de estrelas mortas, 
ouve sair das janelas, na rua quase deserta.
Hoje bastava um pouco mais de tudo, ou um pouco menos de tanto...

Recomeça, porque hoje tudo recomeça.
Leva a coragem, como companheira de viagem.

Sónia M

03 novembro, 2015

Maçã e canela




Atravesso o tempo , o espaço, a distancia virtual ,o momento
a oculta imensidão da memoria
de olhos fechados absorvo o cheiro
tacteio silenciosamente os odores das cozinhas antigas
poeira de canela no ar, imensos sentimentos
esvoaçam no tampo da mesa, à superfície da pele.
Nada é transcendente no sabor do poema
nem na brancura do naperon
nem o acordar na fragrancia das manhãs
apenas o odor das mães me abraça
no céu da boca
um pedaço de tarte de maçã!!!

......................São Gonçalves


**************************************

A casa cheira a maçã e canela, lembra a Outono (não sei bem porquê...). Foi para isto que hoje me deu  - uma espécie de poesia do paladar. 

E foi poesia o que recebi em troca, ao partilhar, virtualmente, a minha sobremesa. 
Obrigada, São, pelo poema!
Há coisas que nos sabem tão bem... 
Boa noite para todos vós!

Sónia M


22 outubro, 2015

Fosse a minha voz um anjo...




não sei se há ainda estrelas 
que guiem caminhos
ou caminhos para ti
nesta noite...

os teus olhos cor de lua
procuram a última porta do destino

uma entrada sem saída
num céu sem cansaço 

fosse a minha voz um anjo
de mãos grandes
a abrir pequenas janelas 
nas paredes do teu quarto
em ruínas

talvez te conseguisses escapar 
por alguma delas...
acrescentar dias aos anos 
e estradas à vida

fosse a minha voz um anjo

a cantar para ti 
como nos dias mais antigos
em que me sorrias 
como uma Primavera!
e as tuas mãos eram o rio
para onde eu corria a beber ternura...

tivesse eu um grão
de uma qualquer magia já extinta
que pudesse romper a barreira 
das mais improváveis distâncias

e esta noite
faria o único possível

cantaria para ti...
até adormeceres todos os sonhos...

Sónia M








13 setembro, 2015

.


de ti queria as coisas que não tenho
o que me falta e não consigo
o que não posso
ou ao que não me chega a coragem

queria o segredo dos que dormem
numa paz inexistente 

queria o sonho
dos que ousam acordados

pintar numa hora que seja
um minuto de sonho
que vingue ou que valha

queria o sonho
de ti queria um sonho!

ou ao menos
antes que durma vazia
cansada de tantas realidades 

que me dissesses ao ouvido 
bem baixinho 
a que cheira um sonho 
ou a que sabe...



Sónia M 

30 agosto, 2015

Na boca da papoila

Da boca da papoila
saía um mar sem pressa

um peixe descia até ao cais
para dar as boas vindas
às pequenas embarcações
que se aproximavam

traziam as verdades dos homens
inscritas nas velas

ao tocar as margens improvisadas
desfaziam-se
uma a uma
como se fossem de papel...

uma mulher na praia
roía a solidão dos búzios

quando o sol se deitava nas águas
ajeitava o seu vestido de conchas
e cantava às gaivotas

canções que falavam
na boca da papoila
e dos barcos que se perdiam nas águas
das verdades mais navegáveis...

Sónia M







Da janela do meu quarto...

Por aqui a lua
vive no coração das nuvens
ciosas da sua beleza.



Sónia M


Fotografia, Sónia M

04 agosto, 2015

Alentejo



Neste país, nem sempre se vê a lua.
Às vezes o que não vejo dói-me.
Uma parede branca.
Uma cadeira de recosto.
Uma porta aberta.
Um rosto cansado olhando as estrelas
agradecendo uma pequena brisa
num Agosto tão quente.
Meu Alentejo!...meu mar de campo
sem onda que lhe valha.
Meu berço perdido...água parada...

Diz-me
se esta lua que hoje não vejo
te ilumina as ruas?
Se embeleza ainda
a história da(s) tua(s) ruína(s)...


Sónia M

Fotografia, Fortaleza de Juromenha, de Sónia M

28 setembro, 2014

.


Há uma linha sinuosa
 quase invisível
a separar o céu da terra.

É feita de sonhos 
 que permeiam um nome e o outro.

Uns quantos laços de ternura
 outros tantos de amor
mais uns quantos de vontade
outros tantos de coragem
 respeitosamente 
sustêm o horizonte que desenhamos
a pulso e a sonhos.

Se algum se desata
para que lado cai?

Como impedir que essa linha se separe?

Diz-me que é possível
a queda desobedecer a todas as leis
e que hoje 
 ao acordar
só não vi o horizonte que me mantém
porque me tornei cega.

Há tanto que persigo a verdade
e hoje 
de ti
só queria uma mentira...

Sónia M







22 agosto, 2014

.



"O silêncio é uma outra maneira da palavra viver 
e há coisas que não podem ser ditas de outra maneira." 
- Mia Couto

Fotografia Sónia M

04 agosto, 2014

.

Saí antes da música
dos risos...
das palmas...
do bolo...


É desta certeza que
(tantas vezes)
a melancolia me chega:

fecho a porta e parto
virando costas às vidas
que seguem lá dentro

um caminho que não vejo.

E num repente
um sopro
tem a importância
das coisas mais importantes

só porque o não sinto
a apagar umas quantas velas...

Sónia M

(À Daniela. Parabéns!)

23 julho, 2014

.






Na escola, ensinam-nos, que precisamos de 60 minutos para completar uma hora. 
Com o passar do tempo, aprendemos com a vida, que por vezes, 
um minuto que se assoma no meio da tarde, é tudo quanto se precisa, 
para que o dia pareça completo.
 

Sónia M

Foto de Nuria Clavinas

04 abril, 2014

A borboleta dos que estão longe


Porque ri,
do que ri,
aquele que tanto sorrisos me pede?

Se as vozes que ouço me chegam doridas,
nunca o meu riso o é por inteiro.
Se de repente me vês ausente,
é pela saudade que dos olhos me nasce.
E que neste chão baço, por onde passo,
deixo caída.
Uma borboleta, que no chão chora a sua sorte,
por das flores andar perdida.

Para que queres que ria eu primeiro?
Se é tristeza o que o meu riso augura.
Tal como tu, também eu carrego 
a morte e a vida,
a alegria e a ternura.

Mas em mim, os dias adormecem,
com a ausência do azul que me enleva.
A minha pátria é este punhado de terra triste,
que trago comigo no bolso,
e para todo o lado carrego,
onde as mães se afogam, 
no pranto que lhes vive nos braços,
que já doem de tanta espera...

Sónia M


Ontem regressava com os miúdos a casa e encontrei esta borboleta no chão. Quase a pisámos.
Cheguei a casa e escrevi isto. A borboleta pareceu-me uma lágrima de saudade, colorida.
Uma dor que chega ao chão...ou por ele nasce.
Excelente fim de semana a todos.
Abraço.

18 fevereiro, 2014

Só o Tempo é leve...




Tenho terra no sangue e uma cidade verde no peito. 
Guardo olhares nas mãos que os olhos não sabem ver. 
Hoje encontrei uma memória junto ao dedo mindinho, 
é tua e minha. Afagavas-me os cabelos e sorrias, 
cheiravas a terra, a tangerinas e a tabaco. 
"És tão pequena", dizias, "que o mundo não te encontra". 
E os teus olhos gritavam, "És tão grande!".  Vê como é 
leve o Tempo: é um sonho. Onde um mar nos empresta um 
barco, um pássaro nos cede uma asa, para as sucessivas 
viagens que por ele fazemos. Chego, como quem sai do 
sonho e o espelho diz-me que as minhas mãos já cresceram 
e que os meus passos têm o tamanho dos teus. Talvez agora 
já te possa dizer, que somos nós que encontramos o mundo 
e que ele é pequeno, acredita. É tão pequeno que nos cabe 
inteiro nos ossos. E às vezes pesa, o mundo, a memória 
e o corpo. Pesa tanto. É preciso vasculhar entre os dedos, 
até encontrar o cheiro da tangerina e da terra,  para que tudo 
pareça de novo leve, como o Tempo: uma miragem que o espelho desfaz.

Sónia M


Na imagem 
o meu pai e um dos seus bisnetos.

16 janeiro, 2014

O anúncio da pedra



Há muito muito tempo atrás, uma tempestade apoderou-se da noite. Chuva, vento e relâmpagos invadiam os céus, num cenário medonho. O vento varria brutalmente os campos que circundavam a cidade, arrastando pelos ares as pedras mais pequenas. Sendo depois largadas nas ruas, nos telhados e nos jardins, inundados pela chuva. Uma dessas pequenas pedras, guardava ouro no seu interior e ao ser atingida por um relâmpago, os deuses, num descuido, deram-lhe vida. O sossego daquela pacata cidade foi devastado. Pela manhã todos os habitantes uniram esforços para limpar as ruas e repor a ordem. Limparam telhados, escoaram a água dos jardins, retiraram todas as pedras das ruas. Todas, menos uma. A pedra viva, permanecia em frente a uma janela e por mais que todos se esforçassem ninguém a conseguia mover. Não tinha braços nem pernas, mas ganhara boca. Sempre que a abria era com o intuito de rebaixar e humilhar os que com ela tropeçavam.

No inicio, talvez pela febre do ouro, ou encantados por aquele pequeno milagre, muitos se aproximaram dela, mas, mal lhe ouviam a fala pesada, depressa se afastavam. Com o tempo acabou por cair no esquecimento. Não passava de uma pedra no caminho. Uma pedra rica mas odiosa. Passou tanto tempo em frente àquela janela, que começou a invejar a vida que via do outro lado da vidraça. Se falavam, se riam, se choravam, se erravam, se acertavam. Tudo na vida, que aquela janela lhe mostrava, se tornou numa obsessão para a pedra. A sua mente de pedra era tão mesquinha, que achou que tinha um único propósito na vida, um único destino: romper aquela vidraça. Havia noites em que a Lua, com uma extrema paciência, lhe ouvia os gritos de raiva e inveja, sempre que se via ignorada e desprezada por todos. Tentava até acalmá-la, dizendo-lhe que se olhasse melhor à sua volta, talvez encontrasse um outro propósito para aquele acidente de vida, que não fosse o de destruir propriedade alheia. Mas ela nada ouvia.

Oferecia ouro a quem a atirasse. Todos se negavam, afinal também eles tinham janelas. De que lhes serviria depois o ouro, a não ser para consertar o que também podia ser quebrado. Então um dia, numa única nesga de ilusória sabedoria, a pedra entendeu por fim, que precisava de alguém que vivesse numa casa sem janelas, sem telhados de vidro e sem espelhos. E resolveu anunciar a sua procura no jornal da cidade. Mal viu o editor do jornal, ofereceu-lhe um pedaço de ouro, em troca de ver publicado o seu anúncio. Percebendo as suas intenções malignas, o editor, acedeu ao pedido, mas, ao chegar à redacção, resolveu alterá-lo ligeiramente.

O anúncio da pedra.

Procura-se uma alma limpa de vida. De uma extrema  pureza..
Uma alma virgem, que permaneça parada, para  que  nenhum 
passo a corrompa, ou lhe viole a pureza. Uma alma que habite 
numa casa sem janelas nem telhados, onde  os  espelhos  não 
façam mais sentido e todos lhe atirem flores.  Uma  alma  que 
carregue o céu entre os dedos.  Procura-se um  morto,  para 
um trabalho simples e rápido. Como recompensa, uma pedra 
de ouro. A quem reunir estas condições, basta que responda
para a secção de anúncios deste jornal, e, ser-lhe-ão facultadas 
mais informações. 
Ass: A Pedra


Consta, que até hoje, ninguém respondeu ao anúncio.

Sónia M


(Tenho uma pedra no meu caminho. No meu caminho tenho uma pedra.)


29 dezembro, 2013

A viagem



A estação era fria. As pessoas caminhavam lentamente, arrastando pesadas malas. Num repente, comecei a ouvir alaridos de espanto. Uma velha vestida de branco, havia subido à torre do relógio e sem que ninguém soubesse como, sentou-se no ponteiro das horas. Os viajantes, aos poucos, foram abandonando a bagagem, concentrando-se por baixo da torre. Tentavam convencê-la a que descesse e ela recusava, dizendo não ser ainda a hora. Alguém chamara a policia, que tardava. Todos os olhos estavam agora postos no ponteiro das horas, até os meus, e naquela mulher misteriosa. Envergava uma camisa de dormir branca de bordado inglês, que subira até às coxas. Uns longos cabelos, completamente brancos, tocavam-lhe nos joelhos. Com as duas mãos, segurava um saco de ráfia, que parecia cheio e ela olhava para cima, com um olhar doce, como se visse estrelas e não a estrutura metálica da estação.


Não sei quanto tempo passou. O relógio da estação deixou de marcar o tempo e o meu relógio de pulso também. Desconfio que nenhum relógio funcionava. Mais que uma vez, vi entre os que ali estavam, de olhares desorientados, perguntar a uns e outros as horas, sem que ninguém soubesse responder. Incrédula, deduzi que o tempo, obedecia aquela mulher que todos tomavam por suicida. Fiquei curiosa. O que haveria dentro daquele saco de ráfia? Como se se apercebesse da minha curiosidade, a mulher olhou-me. Apontou-me o dedo e pediu-me que chegasse mais perto. Obedeci. Abriu o saco e retirou lá de dentro uma mão cheia de ponteiros, dizendo que era chegada a hora. Com uma agilidade inesperada colocou-se de pé em cima do ponteiro, ficando assim, de costas viradas para o corpo do tempo, pisando o braço das horas. Ao mesmo tempo que uma nuvem de pombas brancas, invadia a estação, esvoaçando por cima da torre do relógio e da velha, que já nem me parecia tão velha. Voltou a olhar-me, esticando a mão cheia de ponteiros e disse-me
- Isto foi teu. Perdeste tantos, como o tanto que pesa a tua mala. Vê!
Lançou-os, como se atirasse comida às pombas, que os recolheram ainda no ar, e, desapareceram com eles no bico.


Voltou a enfiar a mão dentro do saco, retirando mais um punhado de ponteiros. Desta vez olhou para a mulher ao meu lado e repetiu a operação. Repetiu-a com todos os viajantes que a olhavam em silêncio, como se esperassem a sua vez. A cada vez que o fazia parecia perder idade. Quando o saco ficou vazio, não era mais que uma criança, de uns 7 ou 8 anos. Abriu os braços e saltou. Naquele momento, um anjo caía da torre do relógio. Antes que atingisse o chão, 7 pombas agarraram-na, elevaram-na e desapareceram com ela. Consternados, os viajantes olhavam-se entre si, tentando perceber, se o que haviam presenciado fora real, ou apenas uma alucinação partilhada, que ninguém quis explicar à policia, quando finalmente chegou. O único crime que encontrou, foi tempo perdido.


Ouviu-se a última chamada para o último comboio da noite. O relógio da torre marcava agora 5 minutos para a meia noite. Após 1 ou 2 minutos de despedidas, a estação ficou vazia e o comboio cheio. A vida prosseguiu como se nada. Quando peguei na minha mala, pela primeira vez percebi-lhe o peso. Hesitei, mas acabei por a deixar ali mesmo e entrei no comboio. Afinal, a ternura é leve e não precisa de bagagem. Nenhum tempo se perde ou envelhece com ela.Talvez seja isso, o único que me faz falta, nesta viagem.


Sónia M


A todos os amigos deste blogue, desejo que a vossa viagem seja leve.

Feliz Ano Novo.

Um forte abraço.

17 dezembro, 2013

Olha-me rindo uma criança. - Fernando Pessoa


Olha-me rindo uma criança 

E na minha alma madrugou. 
Tenho razão, tenho esperança 
Tenho o que nunca bastou. 
Bem sei. Tudo isto é um sorriso 
Que é nem sequer sorriso meu. 
Mas para meu não o preciso 
Basta-me ser de quem mo deu.

Breve momento em que um olhar 
Sorriu ao certo para mim… 
És a memória de um lugar, 
Onde já fui feliz assim.

Fernando Pessoa




É com estes dois sorrisos, que nesta época festiva, tanto me enfeitam a casa
(os meus filhos), que desejo a quem por aqui passar, um Santo e Feliz Natal.
Um forte abraço.
Sónia M