A escada de madeira, apesar
de lhe ser entregue a mais leve e a mais pequena, tinha o peso da dor de mil inocências perdidas.Carregava-a, tentando equilibrá-la até
chegar à próxima oliveira, num chão que se agarrava às botas de
borracha. Fazendo com que o próximo passo, fosse ainda mais penoso
que o anterior. Cada passo dado somava peso, que o seu corpo pequeno
e franzino, suportava apenas através do pensamento - Eu consigo!
Era como se a terra a quisesse tragar de vez e assim a libertar daquele martírio. Ainda
assim, insistia em permanecer à superfície.
- Este é o meu chão e a escada a minha cruz. Talvez todos sejamos um Cristo, a carregar misérias às costas, não pecados, e, em algum lugar do caminho, alguém nos espere para nos crucificar, como castigo, por sermos pobres.
- Este é o meu chão e a escada a minha cruz. Talvez todos sejamos um Cristo, a carregar misérias às costas, não pecados, e, em algum lugar do caminho, alguém nos espere para nos crucificar, como castigo, por sermos pobres.
-Mãe, tenho frio, já não sinto as
mãos.
-Aguenta só mais um pouco. Estamos
quase na hora de almoço, depois já te podes aquecer ao lume.
Demorou tempo até perceber, que confessar o frio, que tinha, lhe gelava todo o peito. Antes que chegasse a tão desejada hora de almoço, por várias vezes, pode ver a ponta do mar imenso que segurava nos olhos. Olhava-a, sempre que podia, e, nos olhos, carregava a dor de todas as mães, que não conseguem levar os filhos a pisar outro chão, a não ser o que elas próprias pisam.(...)
Sónia M
Pintura, Amanda Greavette
Deixo um beijo a todas as mães que por aqui passarem. Feliz dia!


