30 maio, 2012

Olha-me a mim...

                                               (Fotografia "Stinger" de Daniela Estalagem)

Olha-me a mim
e não à papoila que prendi nos cabelos.
Deixa o seu viço e perfume,
esses esfumam-se na brevidade de um instante...que passou há pouco.
Mergulha antes na profundeza que avistas nos meus olhos
e olha-me a mim, tanto quanto possas, ou até que o tempo
te mostre as estradas que já percorreu no meu rosto.
Olha-me a mim...
Até que a papoila caia e regresse à terra desfolhada.
Para que mesmo sem flores no cabelo
Seja a mim que vejas...apenas eu.
Pergunto-me tantas, tantas vezes...
Será que me vês a mim? Ou ao viço que não é meu?

Sónia M

25 comentários:

  1. Olá Sónia
    Tenho andado triste porque o seu blog tinha sido removido, mas agora já estou feliz você está de volta e nos presentiando com estes lindos textos,obrigada já tinha saudades.
    Eu já estou melhor do pulso mas tem sido dificil, dia 4 já vou tirar o gesso, obrigada pelo seu carinho adorei a sua visita.
    BEIJINHOS E TUDO DE BOM.

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    1. Sou eu que agradeço o seu carinho e dedicação Gertrudes!
      Fico feliz que esteja já melhor e que se possa livrar do gesso (uma situação muito chata).
      Beijinhos e que tudo continue a correr da melhor maneira :)

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  2. Um lindo Poema Sónia!

    ótima e abençoada semana!

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    1. Obrigada Clik!
      Uma ótima semana também para si! :)

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  3. Há questões que são eternas...
    Muito belo, Sónia!

    Beijo :)

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    1. Tenho que concordar AC! Há questões que são eternas...
      Beijo :)

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  4. Sonia que alegría verte aquí de nuevo.. no sabia que te paso solo entraba en tu blog y me salia que no existía... por fin te veo de vuelta y con estas lindas letras...
    Un beso muy muy grande y gracias por volver y llenar este espacio con algo tan bonito.
    Belén.-

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    1. Gracias Belen! Hice una pausa, pero estoy de vuelta!
      Gracias por seguir aquí.
      Un beso enorme linda!

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  5. HOLA SÓNIA!!!
    QUE LINDO VOLVER A LEERTE!
    ME GUSTÓ MUCHO TU ENTRADA DE HOY,
    CON O SIN AMAPOLA (PAPOILA) EN EL CABELLO HAS TENIDO UN RETORNO PRIMAVERAL!
    BESITOS! :)

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    1. Bueno, y acabo de aprender algo Ariel! Amapola...
      Gracias por eso e por seguir aqui!
      Un beso :)

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  6. Olá!Bom dia!
    Tudo bem?
    ...muito feliz pelo seu retorno às "escritas"...
    O amor não acaba quando reencontramos nossa capacidade de estar a sós:é aí que ele mostra sua vitalidade: o ser amado está bem guardado. Está lá sem que precise olhar o tempo todo...o amor por si só, encerra em si,um viço, que só percebemos nos outros quando o tempo passou...
    Boa quinta!Muita paz e luz!
    Beijos com carinho!

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    1. Obrigada pelo carinho Felisberto!
      Uma boa tarde de quinta!
      Beijos

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  7. Muito bonito este poema.
    Quantas vezes olhamos e não vemos!

    Beijinhos

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  8. Quando olhamos com os olhos do coração, vemos coisas jamais vistas. Acredito que o verdadeiro amor se encontra no fundo de um olhar que adentra a alma e nada mais vê. Tudo ao seu redor esvai-se, some e o que fica..só o verdadeiro sentimento explica. Muito linda a poesia, como todas as outras. Amiga, estou de volta, cheguei hoje, te mandarei um email contando tudo, e adorei a tua volta aos poemas. Beijos, beijos e até.

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    1. Mil beijos Suzana.
      Fico a aguardar as tuas noticias que espero que sejam boas! Até :)

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  9. A estrutura deste poema desbrava-se através da antítese entre a realidade e as aparências, polarizando o "olhar" poético, entre a "papoila", o "viço" e o "perfume", que se esfumam no "instante" (repare-se como a palavra "instante", aqui magistralmente aplicada, amplia poeticamente a ideia temporal) e uma certa realidade corpórea, que a autora pretendeu intencionalmente apresentar num estado inicial de decadência física (o que não será o caso de Sónia M.), para daí retirar um efeito poético mais incisivo e marcado, o que foi conseguido.
    Sónia M. trabalha muito bem os "estados de alma", ligados à solidão, à tristeza e à melancolia. E se as palavras, por vezes, são manifestações de revolta, perante a vida, essa revolta aparece silenciosa e escondida. É o seu segredo, para transmitir emoções, através da poesia.

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    1. É sempre difícil, se não impossível, percorrer os mesmos caminhos, que percorre o poeta (não que eu o seja)...por momentos a Sónia M, ficou com um ar assustado...
      Beijo meu

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  10. Estive a reler os poemas de Sónia M, aqui publicados, numa tentativa de identificar as linhas mestras que estruturam a sua construção poética. Só assim se poderá partir para uma análise literária do conjunto dos seus poemas, que terá de ser feita mais tarde, quando o número de poemas escritos adquirir peso significativo. Mas agora, o que quero destacar, é a excelência deste poema, "Olha-me a mim", onde a autora evidencia a sua enorme capacidade de utilizar os artifícios da linguagem, para transmitir emoções. Naturalmente estou a falar de metáforas (sem metáforas não há poesia). É neste poema que se encontra a metáfora mais eloquente, construída por Sónia M:

    "e olha-me a mim, tanto quanto possas, ou até que o tempo
    te mostre as estradas que já percorreu no meu rosto"

    Brilhante, no ponto de vista poético.

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  11. "São os olhos que dizem o que o coração sente."

    Beijo.

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