05 outubro, 2014

Neste meu sonho não há noite...


Neste meu sonho, não há noite.
Dou passos lentos, com medo ao tropeço.

Olho curiosa para as mãos cheias de estrelas,
que resolvi passear num dia sem fim.

Ouço, como segredas ao ouvido de um deus louco,
que eu sou uma delas e a minha alma se entristece.

Sinto o sabor das gotas negras que me rolam no rosto.
Pequenos fragmentos da noite, aprisionada em mim.

Neste meu sonho não há noite e,
as estrelas, são estes pedaços de rocha,
que tento guardar nos bolsos.

Sinto o calor de um sol que queima as entranhas e um cansaço,
deste peso que carrego, por não ter céu, onde o soltar.

Reparo, que neste meu sonho, há um outro sonho,
que sonhas tu. Onde as estrelas embelezam um céu nocturno,
a fazer as delicias dos amantes.

Quisera eu, despertar deste meu sonho sem noite
e arrastar-te comigo para fora do teu.

E ao invés desse brilho que me emprestas,
pudesses tocar... nas sombras, que se escapam da minha voz.

E talvez se houvesse, ainda que por breves instantes,
um momento da mais pura lucidez,
onde me visses longe desse firmamento,onde me sonhas,
com os pés tão sujos como a terra por onde caminham,
me devolvesses assim a existência que me roubas,
sempre que de mim falas.
©Sónia M

Imagem:
Illusion by Luciane Valença - Art 
(Couchê - Color Pencil - Graffiti)