02 junho, 2020

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arde-me nas mãos 
o único que escrevi à rebeldia do medo 

entre o quase tudo 
o nada 
entre o que falta e o que sobra 
tu o corpo e a coragem 

olhaste nos olhos da manhã sem lhe veres a ternura 
{ já ninguém vê para além da cor dos olhos } 

não há verdade ou mentira 
apenas incógnita 
a calcar algo que possa haver de profundo 

e eu repeti o que agora arde ...e arde.. 
no âmago da entrega 
"o que for...que seja ...que seja o que for" 

e foi ... 
tudo o que quiseste meu bem 

uma folha mais
às costas de um verso seco...   

*

Sónia Micaelo   

(Imagem no Pinterest)

3 comentários:

  1. Boa tarde Sónia,
    Uma privilégio ler a sua poesia.
    Este poema é maravilhoso e adorei.
    O amor é mais forte que tudo.
    Um beijinho e boa semana, com saúde.
    Ailime

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  2. Um verso seco...
    Um verso que morre se sede
    pedindo uma gota de água!...

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  3. O que foi, então, que sobrou desse amor que se completou?
    Saudações poéticas.
    Juvenal Nunes

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