26 outubro, 2018




Já não sei regressar.
A mão que ampara, também  puxa e prende, 
escondendo a poesia aos pássaros. 
Nos dias que ensaio o voo, preparo o cenário. 
Um céu azul, desbotado, pende de uma gaiola dourada. 
Cinco ou seis gatos pardos, sentados em poltronas gigantes,
 fingem que aplaudem. Aguardam. 
Eu abro os braços e todo o meu corpo é uma cruz. 
Quanta beleza transpira em cima do palco onde me vês?
A dor é um poema, que se enrola à ferrugem das grades.
E eu já não sei regressar, meu bem. 
Asas batem e batem , cansadas, em frente a um chão de gatos...

Sónia M

Imagem, Noell Oszvald

5 comentários:

  1. Estamos sempre a partir
    num sopro de vento
    Bj

    ResponderEliminar
  2. O regresso é deveras difícil, mas muitas vezes necessário. Estou regressando a blogosfera depois de anos afastada e vim conhecer suas palavras. Pelo pouco que li percebi um lirismo fervente que inebria minha alma poética. Estou seguindo-te. Abraços.

    ResponderEliminar
  3. Há regressos impossíveis, pela mão do Destino.

    ResponderEliminar
  4. Mais um excelente blogue abandonado...é triste

    ResponderEliminar

NÃO SERÃO PUBLICADOS COMENTÁRIOS ANÓNIMOS