A escada de madeira, apesar
de lhe ser entregue a mais leve e a mais pequena, tinha o peso da dor de mil inocências perdidas.Carregava-a, tentando equilibrá-la até
chegar à próxima oliveira, num chão que se agarrava às botas de
borracha. Fazendo com que o próximo passo, fosse ainda mais penoso
que o anterior. Cada passo dado somava peso, que o seu corpo pequeno
e franzino, suportava apenas através do pensamento - Eu consigo!
Era como se a terra a quisesse tragar de vez e assim a libertar daquele martírio. Ainda
assim, insistia em permanecer à superfície.
- Este é o meu chão e a escada a minha cruz. Talvez todos sejamos um Cristo, a carregar misérias às costas, não pecados, e, em algum lugar do caminho, alguém nos espere para nos crucificar, como castigo, por sermos pobres.
- Este é o meu chão e a escada a minha cruz. Talvez todos sejamos um Cristo, a carregar misérias às costas, não pecados, e, em algum lugar do caminho, alguém nos espere para nos crucificar, como castigo, por sermos pobres.
-Mãe, tenho frio, já não sinto as
mãos.
-Aguenta só mais um pouco. Estamos
quase na hora de almoço, depois já te podes aquecer ao lume.
Demorou tempo até perceber, que confessar o frio, que tinha, lhe gelava todo o peito. Antes que chegasse a tão desejada hora de almoço, por várias vezes, pode ver a ponta do mar imenso que segurava nos olhos. Olhava-a, sempre que podia, e, nos olhos, carregava a dor de todas as mães, que não conseguem levar os filhos a pisar outro chão, a não ser o que elas próprias pisam.(...)
Sónia M
Pintura, Amanda Greavette
Deixo um beijo a todas as mães que por aqui passarem. Feliz dia!

Também por aqui passou um pai e um avô, para desejar a todas as mães do mundo que vejam crescer os seus maravilhosos frutos, com paz, amor e carinho!
ResponderEliminarDeixo aqui o meu respeitoso abraço a todas elas, o meu habitual para a amiga Sónia.
Agruras que todas as mães sentem, ao verem o horizonte dos filhos condicionado pelo seu nascimento, sem perspectivas de que, em liberdade,os possam ampliar.
ResponderEliminarUm abraço,
Jorge
Sônia Lindo gostei do teu texto feliz dia da mãe, porque eu são pai e avô.
ResponderEliminarBeijos
Santa Cruz
É! É bem assim!
ResponderEliminarUm grande abraço de mãe.
As mães dão o fruto da vida...
ResponderEliminarBeijo Lisette
Oi Sónia,
ResponderEliminarComo dizia minha saudosa mãe: cada um nasce com uma sina.
Beijos
Lua Singular
EXCELENTÍSIMO EXTRACTO!!!!!
ResponderEliminarUN ABRAZO
Lindo texto. Ser mãe é dom, é enigma, é dor, é alegria.
ResponderEliminarMesmos nas dores, que sejam alegrias os chãos que pisam. Beijo, boa semana!
"E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
ResponderEliminare através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor."
excerto do poema "fonte", de herberto helder.
sempre um momento muito especial sentar-me nas tuas palavras e adivinhar os mundos que com elas tornas mais nítidos e límpidos, sónia.
um beijinho do filho de uma mãe que por aqui passou.
Obrigada, Jorge, por este "pedaço" de um poema que muito gosto.
EliminarBeijinhos.