Foto do dia.
A raiz é livre como um pássaro!
O sonho mostra o caminho.
Chega Abril. A liberdade é já ali.
Até amanhã ❤
21 abril, 2017
17 abril, 2017
17 março, 2017
...
Dar-te-ia uma noite clara
Isenta de gritos e no
Zelo das margens do rio
Que te banha a alma, beijaria
Um a um os teus medos. Por
Entre a sede das mãos, escorreria
A verdade que entregámos aos pássaros.
Instante de luz a ofuscar os dias.
Nesga de loucura a guardar os sonhos.
Deitaria às águas um verso branco.
Astro fecundo nos meus verdes olhos.
Mistério encostado ao céu da boca do
Encanto, com que envolves
As minhas mãos vazias.
Morresse a lonjura no abraço do verso.
Antes não fosses um destino
Sem tempo. Pátria perdida...à qual nunca regresso.
Sónia M
Imagem, © Łukasz Gliszczyński
02 novembro, 2016
.
De tanto olhar pelo olho de vidro da dor
secaram-se-me os olhos.
Faço-me e desfaço-me em pele por vestir
um olhar apagado no passar dos teus dias
onde não me acho real.
O tempo habitua a dor para que já não doa.
Depois que se entende tudo é um denso vazio
a apontar o lugar onde antes havia uma ferida.
Ali esgravato para que sangre sobre a folha
duas ou três gotas de um verso só
onde um mundo gira ao contrário
para chegar ao encontro das horas.
Amarro o teu nome à palavra instante
antes que durma
e até por detrás do véu dos sonhos
o instante não é nome
ou palavra mais ou menos que seja
do que aquilo que na minha noite mergulha:
- coisa nenhuma.
O relógio marca a ilusão
de um amanhã que não chega.
Ainda assim te digo
até amanhã...
Sónia M
secaram-se-me os olhos.
Faço-me e desfaço-me em pele por vestir
um olhar apagado no passar dos teus dias
onde não me acho real.
O tempo habitua a dor para que já não doa.
Depois que se entende tudo é um denso vazio
a apontar o lugar onde antes havia uma ferida.
Ali esgravato para que sangre sobre a folha
duas ou três gotas de um verso só
onde um mundo gira ao contrário
para chegar ao encontro das horas.
Amarro o teu nome à palavra instante
antes que durma
e até por detrás do véu dos sonhos
o instante não é nome
ou palavra mais ou menos que seja
do que aquilo que na minha noite mergulha:
- coisa nenhuma.
O relógio marca a ilusão
de um amanhã que não chega.
Ainda assim te digo
até amanhã...
Sónia M
27 setembro, 2016
.
e nenhum verso te encontra.
- A luz mais lavada, que nos olhos me abra
uma certeza maior, que a da solidão da folha.
A mim, que nunca um deus me falou,
basta-me saber da aranha para acreditar na teia,
ouvir o trovão para saber da chuva.
E em tudo isto acredito.
Ensina-me, se souberes, a rezar a todos os deuses.
Que eu só sei falar ao vento, das estações que depressa passam.
De joelhos, como quem reza ou suplica, deixarei uma prece
aos pés da pedra. Farei de tudo, bem vês, que os meus frágeis ossos,
não suportam mais o peso, da ilusão que escorre pelas paredes da casa.
- Acende para mim uma luz, que já nenhum verso a encontra.
A luz mais lavada, a mais pura.
Acende...e que seja verde.Uma luz a mover corações de pedra.
Texto e imagem ,
Sónia M
15 julho, 2016
Não olhes agora.
Foi aí que chorei. E se o mundo ficar sem pássaros?
Sónia M
**************
Este céu…
Este céu de agora…
Este céu tem penas
que choro...
Aos milhares caem aos pés
dos que já não caminham.
Dói tanto ver o voo das aves perdidas de dor.
Faças o que fizeres
onde quer que tu vás
não olhes este céu de agora.
Pássaros desfazem-se em penas
e antes que percebas já te entraram pelos olhos.
Não queria que visses, meu bem.
Não olhes agora!
Dói ver o voo de tantas aves órfãs…
Sónia M
Imagem, Pinterest
.
Estou repleta de ausências
de saliva
de abraços de papel.
de saliva
de abraços de papel.
Dou por mim a querer coisas como
o rasto breve de uma estrela cadente
segurar o brilho das águas do rio que amas
sem molhar a ponta dos dedos.
sem molhar a ponta dos dedos.
O que hoje sei é das coisas mais estúpidas.
Nenhuma metáfora te aclarará a noite
nem te calará o grito.
Nenhuma metáfora te aclarará a noite
nem te calará o grito.
Nada que conheço me fará beijar-te os medos.
Não há manhã que nos espere
para nos guardar a ternura.
Não há manhã que nos espere
para nos guardar a ternura.
Na verdade – e é a verdade o que mais assusta-
nunca serei mais que a tua aprendiz de poeta.
Escrevo água e nascente
enquanto a boca bebe da fonte mais seca
e por ti vai morrendo de sede.
enquanto a boca bebe da fonte mais seca
e por ti vai morrendo de sede.
Sónia M
Ilustração, Sean Yoro
30 junho, 2016
.
Estrelas costuram memórias
à franja prateada da lua.
à franja prateada da lua.
Chamas ainda por nomes
que o tempo
num último instante devora…
que o tempo
num último instante devora…
Ficas tu e um poema.
Uma boca que derrama um beijo
sobre o rio das horas sós…
sobre o rio das horas sós…
Sónia M
Imagem, ©Jennifer B Hudson
Imagem, ©Jennifer B Hudson
22 março, 2016
22 de Março
Ergo a tristeza como a pior das bandeiras.
Arrasto-a pelo meio do caos
desta Primavera com cheiro a medo.
É sangue o que corre nas mãos
do homem que semeia vazios
no coração das flores...
Ando cansada do tempo.
Do tempo que passa
sem nada que diga vida.
Uma e outra vez grito para dentro
a mesma pergunta
e nos vagos intervalos desta chuva vermelha,
oiço como a resposta sangra nas ruas.
Afinal do que tens medo? - Grito.
Deste vazio... - Sangra.
Quanto Amor trazes nas mãos?
Não digas que o Amor nada salva!
Se juntares o meu ao teu
derrubamos o medo
e salvamos as flores.
Sónia M
Imagem, ©Plantu
10 janeiro, 2016
No dia em que emudeceste a cidade
No dia em que emudeceste a cidade
um sonho atormentou-me a noite
havia uma margem
onde uma frondosa árvore
em desespero
tentava abraçar o vento
e o vento passava e ria
intocável
um pássaro trazia a manhã à janela de um rio
onde tu banhavas o verbo
- ventre do poema
mais secreto e indomável
e a vida, meu bem
esse fogo
tão bendito quanto maldito
ia secando todas as águas...
trouxeste o tempo para dar de beber aos peixes
- esse quase nada onde quase tudo assenta -
e um muro de espelhos ergueu-se!
ao olhar o meu reflexo no muro
arranquei os olhos
para não voltar a ver-me
eu era o germe do silêncio
que chorava versos mudos
condenado a roer a memória mais funda
até que o verbo... já não doa.
Sónia M
um sonho atormentou-me a noite
havia uma margem
onde uma frondosa árvore
em desespero
tentava abraçar o vento
e o vento passava e ria
intocável
um pássaro trazia a manhã à janela de um rio
onde tu banhavas o verbo
- ventre do poema
mais secreto e indomável
e a vida, meu bem
esse fogo
tão bendito quanto maldito
ia secando todas as águas...
trouxeste o tempo para dar de beber aos peixes
- esse quase nada onde quase tudo assenta -
e um muro de espelhos ergueu-se!
ao olhar o meu reflexo no muro
arranquei os olhos
para não voltar a ver-me
eu era o germe do silêncio
que chorava versos mudos
condenado a roer a memória mais funda
até que o verbo... já não doa.
Sónia M
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