30 agosto, 2015

Na boca da papoila

Da boca da papoila
saía um mar sem pressa

um peixe descia até ao cais
para dar as boas vindas
às pequenas embarcações
que se aproximavam

traziam as verdades dos homens
inscritas nas velas

ao tocar as margens improvisadas
desfaziam-se
uma a uma
como se fossem de papel...

uma mulher na praia
roía a solidão dos búzios

quando o sol se deitava nas águas
ajeitava o seu vestido de conchas
e cantava às gaivotas

canções que falavam
na boca da papoila
e dos barcos que se perdiam nas águas
das verdades mais navegáveis...

Sónia M







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