14 agosto, 2014

Se me disseres destino...

Se me disseres destino
direi ironia.

Um sonho
esmadrigou
no avanço

e nem percebi
à luz do dia
que me fita
quanto do sonho
eu sou.

Em fuga
procurei inquieta
o que desde sempre
me habita.

 Para não pronunciar o teu nome

chamei-te pedra
...distante


de onde brota a papoila
que me grita a sina
que eu finjo que não ouço.

Ingénuo o peixe que mergulhou na terra
para matar a sede

e o ar que parecia tão novo
a respirar uma memória antiga.

Não há chão ou lonjura que baste.
A tua falta é uma ferida que se abre
sempre que os ventos te sopram.

Este modo fulgente
com que os deuses

te alojam sob as minhas pálpebras

e antes que as feche 
{ironicamente}
me sopram ao ouvido
que de uma forma ou de outra
o destino
sempre nos alcança.

Diz-me 

também os ouves?

Sónia M

(Imagem, sem autor mencionado)

7 comentários:

  1. Não sei se será o destino que nos alcança, sei que mais cedo ou mais tarde todo o nosso percurso de vida fica diluído por aí. O que não deixa de ser triste.

    Tenha um bom feriado, Sónia.
    Beijinho.

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  2. Mesmo que fujamos, os sonhos correrão atrás de nós, ou à nossa frente.
    E todas as ausências nos serão sempre sopradas, bem ao ouvido.
    A eterna inquietação das ironias do destino.
    Poema muito bonito.
    xx

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  3. Os amantes nunca deixam de se ouvir, mesmo que separados por muros de pedra.

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