04 abril, 2014

A borboleta dos que estão longe


Porque ri,
do que ri,
aquele que tanto sorrisos me pede?

Se as vozes que ouço me chegam doridas,
nunca o meu riso o é por inteiro.
Se de repente me vês ausente,
é pela saudade que dos olhos me nasce.
E que neste chão baço, por onde passo,
deixo caída.
Uma borboleta, que no chão chora a sua sorte,
por das flores andar perdida.

Para que queres que ria eu primeiro?
Se é tristeza o que o meu riso augura.
Tal como tu, também eu carrego 
a morte e a vida,
a alegria e a ternura.

Mas em mim, os dias adormecem,
com a ausência do azul que me enleva.
A minha pátria é este punhado de terra triste,
que trago comigo no bolso,
e para todo o lado carrego,
onde as mães se afogam, 
no pranto que lhes vive nos braços,
que já doem de tanta espera...

Sónia M


Ontem regressava com os miúdos a casa e encontrei esta borboleta no chão. Quase a pisámos.
Cheguei a casa e escrevi isto. A borboleta pareceu-me uma lágrima de saudade, colorida.
Uma dor que chega ao chão...ou por ele nasce.
Excelente fim de semana a todos.
Abraço.

21 comentários:

  1. Um belo poema, multifacetado tematicamente, e com um epílogo grandioso:
    "A minha pátria é este punhado de terra triste,
    que trago comigo no bolso,
    e para todo o lado carrego,".

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  2. Magnífico poema como sempre, e linda, maravilhosa borboleta da minha primavera, linda demais para ser pisada!
    Com o meu abraço, bom fim de semana.

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  3. Oi Sónia,
    Poema triste...
    Retorna a esse punhado de terra triste.
    Um beijo
    Lua Singular

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  4. Triste, mas quem disse que não há beleza na tristeza?

    Lindo como sempre.

    Bjs

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  5. Muito bom, fundo e forma -- esta cheia de musicalidade e ritmo.

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  6. Lindíssimas...as palavras e a borboleta!

    Beijo grande

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  7. Olá Sónia,triste.mas de uma terna candura.
    Bjs amiga e obrigada pela visita
    Um ótimo final de semana.
    Carmen Lúcia.

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  8. Obrigado, Sónia! Obrigado mesmo!
    Um beijo e um excelente fim-de-semana!

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  9. Um belo e triste poema, inspirado num episódio fortuito que se tornou marcante. O chão não é usualmente o sítio onde se costumam encontrar borboletas...e esta era bem bonita!... Daqui para o desejo da beleza e ternura de outro chão, vão três estrofes. A quarta estrofe traduz muito bem o sentimento de saudade, o que demonstra que "a borboleta dos que estão longe" parece nunca encontrar o sítio certo para pousar.
    Bom fim de semana, Sónia!
    xx

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  10. Um belíssimo poema "levantado" do chão.
    Beijo

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  11. Belíssimo voo, o teu.

    Vestiste as cores da belíssima e singular borboleta, num triste cântico de partidas e chegadas...

    Meu abraço!

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  12. ME ENCANTA TU GRAN SENSIBILIDAD.
    BESOS

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  13. Hola Sónia,
    te dejo un beso y mis mejores deseos.

    bonito poema,
    gracias a dios que no la pisaste =)

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  14. Que coisa mais bela esse teu poema!
    Fiquei emocionada.

    Beijos.

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  15. belo bailado de borboleta celebrando a chama...
    que a "Pátria que trazemos no bolso" assim o reclama.

    belo. teu poema

    beijo

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  16. Deambulei por aqui.
    E, desejo felicidades.
    Manuel

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  17. Una preciosa Poesía con ese sentimiento que late dentro del cuerpecito de esa mariposa...Una Gran Sensibilidad.
    Es como un dolor que llega del suelo o nace de él.
    Abraços e Beijos.

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  18. saudade à flor da pele.

    sensibilidade também.

    meu abraço...

    :)

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  19. Tão belas palavras só podem vir de um coração de especial sensibilidade de um ser humano fantástico e como sabemos cheio de talento...!
    beijinhos
    Maria

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  20. Constantemente chegam a tristeza ,a alegria, ternura e saudade, emoção. Alternam-se riso e lágrima como bater de asas de uma borboleta.
    Um belo poema, sensível e leve como borboleta.

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  21. Com o meu sorriso ou sem ele, venho desejar-lhe uma optima semana, Sónia.

    Beijoca grande.

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